Activity Based Working e o futuro do trabalho em 2026

Empresas mais disruptivas têm investido em um modelo que tem como premissa a necessidade de diferentes tipos de ambientes para diferentes tipos de atividades. O conceito do Activity Based Working (ABW) surgiu ainda na década de 1970, quando o arquiteto americano Robert Luchetti pensou o escritório como um espaço físico com diferentes aplicabilidades, proporcionando ambientes adequados para diferentes tarefas e tipos de atuações de um profissional dentro do seu escopo de atribuições. O termo propriamente dito surgiu vinte anos depois, quando o consultor holandês Erik Veldhoen publicou o livro A Arte de Trabalhar e implementou o conceito em uma empresa de seguros da Holanda. 

A necessidade de se pensar novas maneiras de trabalhar voltou com força durante a pandemia. Às pressas, foi preciso se reinventar o ambiente de trabalho. No pós-pandemia, quando as empresas decidiram chamar seus funcionários de volta ao escritório, a reflexão sobre o futuro do trabalho se tornou imprescindível. 

Futuro do trabalho: o caminho do Activity Based Working

A experiência do home-office mudou perspectivas e trouxe uma nova visão sobre o que seria considerada uma relação saudável entre vida pessoal e profissional. Isso ficou evidente quando as organizações começaram a chamar seu pessoal de volta ao presencial, inclusive aquelas consideradas mais inovadoras, como as empresas de tecnologia. Contrariados, muitos profissionais decidiram pedir demissão. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2024, os desligamentos voluntários no Brasil chegaram a quase 8,5 milhões. Entre os motivos, o retorno ao escritório. Esses trabalhadores não queriam mais ter que enfrentar horas no trânsito para chegar ao trabalho. E não abriam mão da conquistada flexibilidade na jornada. Esse é o cenário que se vê ainda hoje.

Então, como fazer com que a resistência ao retorno ao presencial diminua? Essa foi a pergunta que as empresas tiveram que se fazer para atrair e reter talentos, e o Activity Based Working (ABW) pode ser uma luz no fim do túnel.  Com o foco na experiência do empregado, o ABW é um caminho para que o desempenho das atividades no presencial seja mais funcional, colaborativa, produtiva e recompensadora para o trabalhador.

Isso porque esse modelo coloca as necessidades no centro do design dos escritórios e busca maior flexibilidade e autonomia para os trabalhadores. Do ponto de vista da gestão, pode aumentar a produtividade, na medida em que melhora a criatividade, colaboração e comunicação entre as equipes. Também contribui para a diminuição de custos e para a tomada de decisão assertiva, baseada em dados. 

Activity Based Working tendência para o futuro
Tendência para 2026, flexibilidade e eficiência

Outro fator fundamental é a otimização da infraestrutura física, por meio do compartilhamento das estações de trabalho conforme a demanda, também conhecida como Hot Desking. Num futuro próximo, o ABW poderá incorporar inteligência artificial em seus processos de diagnósticos internos (como clima organizacional, engajamento, produtividade) e para a própria concepção de espaços que melhor atendam às necessidades dos funcionários e do negócio.

Evidentemente, a implantação dessa nova forma de pensar o trabalho e o escritório demanda um diagnóstico preciso sobre pessoal, competências, atribuições, tarefas, escalas e infraestrutura física e tecnológica disponível. Porém, mais do que isso, requer uma mudança de cultura dentro das organizações e fora delas. É preciso uma mudança de entendimento sobre como vemos o trabalho e a expressão física e corporativa dele: os escritórios.

Em alguma medida, a departamentalização já vinha dando lugar a squads formatados para condução de projetos e atingimento de metas específicas. Mas os ambientes de trabalho nas empresas não acompanharam na mesma velocidade esse modelo. Ainda hoje, grande parte das organizações mantém o modelo de estrutura física de décadas, com escritórios compartimentados e divididos em “baias” ou cubículos, que em nada favorecem o relacionamento e a cooperação.

A ausência de direção e propósito, por sua vez, ainda acompanha uma parcela importante dos profissionais, que desempenham tarefas repetitivas e operacionais, sem ao menos compreender a finalidade ou relevância da sua atividade para a organização, como tão bem é retratado na série Ruptura, da Apple. Com o avanço da inteligência artificial, cada vez mais esse papel será exercido pelas máquinas, e precisaremos estar preparados para garantir que o humano tenha espaço para o pleno desenvolvimento de suas habilidades intelectuais e criativas, que realmente farão a diferença para as empresas.   

Visionário, o Activity Based Working (ABW) encaixa-se perfeitamente no futuro do trabalho, e grandes companhias, como a Microsoft, têm apostado nele. Já o trabalho híbrido, que também cabe no ABW, apresenta-se como uma alternativa real de acomodar o desejo dos trabalhadores de maior flexibilidade e autonomia, e dos empresários de ter suas equipes no presencial. Ambos (ABW e modelo híbrido) são grandes oportunidades para as empresas SaaS, já que, para serem efetivos, precisam contar com ferramentas tecnológicas que deem suporte à operacionalização e ao monitoramento geral. 

Para o CEO da Deskbee, Mario Verdi, o futuro do trabalho flexível e sua interligação ao ABW estão diretamente ligados à incorporação das ferramentas adequadas. “Recentemente, a Deskbee lançou o WorkPlan, um novo módulo da nossa plataforma de gerenciamento dos espaços físicos de trabalho que visa simplificar a gestão do trabalho flexível, oferecendo ferramentas para organizar horários, controlar a presença e gerar relatórios. Com isso, as empresas têm informações claras sobre como está ocorrendo a dinâmica do trabalho, quais atividades e espaços físicos estão sendo mais frequentes e a frequência dos times, facilitando a tomada de decisões”, explica Verdi. 

Por trás de toda a engrenagem que pode transformar o ABW em realidade, está o desafio de aliar inovação, resultado, realização profissional, senso de pertencimento e propósito. As organizações que conseguirem fazer isso agregarão valor à sua marca empregadora e trarão as melhores cabeças para o negócio. Também darão um passo importante em direção ao futuro do trabalho, racionalizando recursos e reduzindo custos. Como resultado, estarão à frente em competitividade. Novos tempos exigem novas posturas. Seremos pioneiros ou ficaremos assistindo?