21 dias perdidos por ano no trânsito: como a mobilidade corporativa transforma desafios em oportunidades

A mobilidade para o trabalho tem se mostrado um desafio nas grandes cidades. E se tornássemos o tempo que gastamos nos deslocamentos até o trabalho em minutos ou horas de qualidade? Uma das pesquisas mais recentes sobre o assunto mostrou que, em média, um trabalhador brasileiro que vive nas grandes cidades gasta cerca de duas horas por dia nesses deslocamentos, o que equivale a 21 dias por ano. 

Estatísticas reveladoras sobre deslocamentos diários

Realizada em 2022 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae, a Pesquisa Mobilidade Urbana mostrou que o ônibus é o principal meio de transporte para ir ao trabalho (36%), seguido do carro (22%). O custo é o principal fator para determinar o tipo de meio de transporte eleito. Para 31% das pessoas que responderam à pesquisa, andar de ônibus é uma forma de economizar. 

A imagem mostra uma rua com vários carros. Demonstra a importância da mobilidade corporativa.

Em ambos os casos, o tempo de deslocamento incomoda. Mas quem precisa utilizar o ônibus tem ainda outros inconvenientes. Cinquenta e três por cento dos entrevistados reclamaram da falta de segurança. Conforto também não é o forte do transporte público por ônibus, conforme  metade deles. Para 46%, os veículos apresentam mau estado de conservação, e 45% indicou falta de pontualidade. 

Problemas no uso de carros e impactos na produtividade

Quem pode optar pelo carro (próprio ou de aplicativo) também enfrenta seus perrengues, principalmente em relação ao trânsito carregado e ao tempo despendido nos deslocamentos. Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizada em 2023 com a população economicamente ativa, essa realidade impacta diretamente a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores. Sessenta por cento dos entrevistados afirmaram, à época, já terem se atrasado por conta do trânsito e terem chegado estressados ao trabalho. A questão é tão relevante no dia a dia das pessoas que 32% não aceitaram oferta de trabalho por conta da distância de casa, e 10% afirmaram já terem decidido trocar de emprego por causa do tempo de deslocamento.

Soluções inovadoras: implementando mobilidade corporativa

Diante de uma realidade tão desafiadora, algumas iniciativas têm sido criadas para ajudar a diminuir o número de veículos nas ruas, que são a grande causa para o aumento do tempo gasto nos deslocamentos, e a transformar o tempo de mobilidade em períodos mais agradáveis. Algumas empresas têm adotado planos de mobilidade corporativa, agregando novas modalidades de transporte aos seus planos de benefício e incorporando questões de sustentabilidade às suas políticas internas. Para serem efetivas, essas ações precisam ser precedidas de passos importantes, como pesquisa de padrão de deslocamentos, planejamento ou levantamento sobre as jornadas presenciais e  sondagem sobre adesão dos trabalhadores.  

Em 2017, a Great Place to Work Brasil apontou que a implementação de apps de caronas corporativas era uma das práticas de mobilidade adotadas pelas melhores empresas para trabalhar naquele ano.

Nessa linha, em 2019 a empresa Bynd criou o Índice de Mobilidade Corporativa, que mapeou e avaliou as principais práticas adotadas por empresas brasileiras. Um ano depois, foi criada a Bynd Caronas, uma rede fechada para trabalhadores de cada empresa para caronas corporativas. Em meio à pandemia, havia a necessidade de garantir deslocamentos seguros àqueles trabalhadores que, necessariamente, precisavam estar presencialmente. 

A Deskbee, líder brasileira em tecnologia para gestão de espaços corporativos e trabalho híbrido, anunciou em setembro de 2025 a aquisição da Bynd. Essa movimentação estratégica integra a plataforma de caronas da Bynd à solução Deskbee, criando um módulo que otimiza trajetos diários dos colaboradores, reduz emissões de CO₂ e promove conexões mais sustentáveis e seguras no ambiente corporativo.

Segundo o fundador da Bynd, Gustavo Gracitelli, agora como sócio, a Deskbee projeta um faturamento de R$ 10 milhões em 2025 – com potencial de dobrar em 2026 –, ampliando sua oferta “all-in-one” para atender demandas de trabalho flexível, elevar o bem-estar dos times e impulsionar a produtividade em um cenário urbano desafiador. Essa união não só fortalece a liderança da Deskbee no mercado, mas inspira empresas a repensarem a mobilidade como um pilar de inovação e impacto positivo.

Os resultados mostraram que a prática tinha tudo para dar certo. Além de focar na sustentabilidade e gerar redução de custos com benefícios de transporte e estacionamento, a iniciativa foi uma forma de promover conexões orgânicas entre os trabalhadores e reduzir o estresse com deslocamentos. O resultado? Trabalhadores começando o dia de trabalho mais leves e dispostos. E a prova de que é possível proporcionar mobilidade com mais qualidade.